Curitiba, cidade-província, roça asfaltada, quinta comarca, tem uns hábitos deploráveis.
Entre tantos, um que incomoda é a velha mania do curitibano de tentar "melhorar" o status de onde moram, trabalham ou tem comércio e/ou ponto para alugar.
A história começou com o Champagnat, nada mais que o bom e velho Bigorrilho. Mande uma carta pelo correio com destino ao Champagnat para ver o que acontece...
Depois veio Ecoville, recanto dos endinheirados além Parque Barigui que tinham nojo de falar, na hora do cadastro na loja, que moravam na Campina do Siqueira, um lugar sujo, cheio de banhados e criações de carneiros. O que é Campina do Siqueira, my lord, uma vila em Bateias?
Hoje, a elite branca curitibana não mora mais perto da Praça da Espanha, no Batel, e arredores, mas sim no Batel Soho. Na verdade, aquela região sequer é Batel, é o próprio Bigorrilho,bem no comecinho.
Mas quem, do alto de sua prepotência, gostaria de conviver com esse nome esquisito, que parece nome de loja de materiais de construção ou de passarinho feio? Eu moro no Batel SOHO, enche o peito siliconado a dona do Range Roger Evoque ao contar vantagens às amigas nos Lady Lords da vida.
A turma que criou o Batel Soho, inspirado nos Sohos do estrangeiro, querem dourar a pilula, dar um motivo a mais para os outros tontos, que acham linda a ideia, pagarem a mais por um café sem graça, um sanduíche de madeira ou um bloft loft cloft desses onde o imóvel com a metragem de uma máquina de lavar roupas é vendido a preços patiobateleanos. Mas eles que são chiques que se entendam, e se querem pagar caro por essa enganação, bem vindos à vida.
E se não bastasse o Soho do Batel, agora surge na urbe um tal de Alto Juvevê. Que porra é essa, perguntam-se os passarinhos da Eppinghauss. Alto Juvevê, segundo as demolidoras de casas de madeira seculares e destruidoras de bosques nativos, conhecidas também como construtoras, colunistas sociais e alguns que devem se identificar como rivais do suposto "Baixo Juvevê", é a região nobre do bairro, colado no Joquei Clube e no Jardim Social. Claro que esquecem a existência do Hugo Lange, mas esse bairro é tão pequeno que para eles não faz diferença, se quiser pode virar Alto Juvevê também e assim aumentar o preço do metro quadrado.
Batel Soho, Alto Juvevê, qual será a próxima ideia dessa turma que faz de tudo para aparecer mais do que é, engana a história da cidade e a origem dos bairros?
Gostam tanto do Soho? Vão embora pra lá. Acham o Juvevê mediano? Mudem-se para o Jardim Social, ou para algum bairro pomposo cujo nome ostente o que você quer tanto aparentar ser: um flamboyant, diriam os ingleses. Um tonto, digo eu.
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